quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Luxo e luxúria...

Dia desses, já de madrugada, zapeando a TV, deparei-me com uma programação um tanto quanto “inadequada”. Sem querer enrolar os leitores, vou logo avisando que foi uma safadeza só! Eu pensei até em trocar de canal ou desligar a TV, mas quis saber até onde iria parar. Confesso que meus olhos não se desviaram da tela, enquanto as cenas da programação insistiam em propagar (propagandear?) todo aquele sonho de consumo: carros esportivos.

De forma proposital, fiz muita gente pensar num conteúdo leviano. Eu sei e assumo que foi essa minha intenção. Aliás, por incrível que possa parecer, o uso de carros esportivos naquele programa televisivo, foi uma verdadeira “apelação”. De forma explícita e marqueteira, percebi que houve intensa “safadeza” por parte do programa. Relacionar os luxuosos carros a um sonho que pode ser realizado pelo telespectador, desde que “tenha fé”, é uma sacanagem! Desculpe a expressão, mas isso é o que penso.

“Qual é o tamanho do seu sonho?” – foi assim que o apresentador interrompeu a mostra da carreata para milionários, sugerindo que a possibilidade para se obter um dos carros apresentados depende tão somente do “tamanho” do “sonho” do telespectador... Sacanagem, ou pior, luxúria! De acordo com a enciclopédia livre, Wikipédia, a luxúria é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material.

Prostituição é outro nome para “desejo passional e egoísta”. Logo, a definição do pecado da luxúria envolve a prática da prostituição: relacionamento por interesse. Parafraseando Tiago, relacionamento que envolve a amizade com o mundo diz respeito a um comportamento adúltero. Dessa forma, constato que a relação homem-divino tem se prostituído. Faz até sentido aquele tipo de programação ter ocorrido de madrugada: há prostituição. Sim, porque existem cenas “inadequadas” e explicitamente apelativas. A Univer$al está de sacanagem e, como tem sido noticiado, a Rede Globo vai investir sua denúncia em cima disso! A guerra entre as duas emissoras renderia um outro post. Aqui, registro minha reflexão entorno de uma espiritualidade pura. Oro pra que minha espiritualidade não se prostitua. Porque da mesma forma que uma esposa que trai seu marido é chamada de mulher de prostituição, o povo que se desvia de Deus é chamado de prostituto. Ah, sim! Desliguei a TV imediatamente, por causa do horário...

"Contudo, ela ia se tornando cada vez mais promiscua à medida que se recordava dos dias de sua juventude, quando era prostituta no Egito." (Ezequiel 23:19)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre motivação: o pulo do gato! [parte III]

Cansado de gente cansada da igreja!

Durante minha caminhada cristã, desde 1993 para ser mais específico, encontrei com todo tipo de crente. Gente que ama e gente que odeia a igreja. Gente que se alegra pelo crescimento dela e gente que se desespera com isso. Gente que acredita na instituição e gente que não acredita. Eu mesmo já tive altos e baixos na fé, já troquei de igreja, de denominação e de “ministério” amais de uma vez. Os motivos foram vários, desde uma questão de geografia até a mais pura e simples incompatibilidade teológica com o(s) pastor(es). Também já tive um tempo (curto) fora da igreja. Sei como se sentem os que saem da igreja.

O que me faz repensar muitas vezes até que ponto essa aparente crise de confiança na instituição que parece ter se popularizado nesta era da internet. Tenho visto nas redes sociais e nos blogs que se multiplicam diariamente muita gente só reclamar da igreja. Alguns apenas repetem o mantra “Jesus não fundou uma igreja”, outros foram profundamente ofendidos/feridos por algo ou alguém dentro de uma igreja e reagiram. De um tempo pra cá surgiram vários livros sobre o assunto, tanto nacionais quanto traduzidos. Lembro dealguns: Igreja? To fora (Ricardo Agreste), Igreja: por que me importar? (Philip Yancey), Igreja? e eu com isso (Ariovaldo Ramos) e mais recente o candidato a best seller “Por que você não quer mais ir à igreja” de Wayne Jacobsen e Dave Coleman.

Sejam os livros, sejam o blogs, todos tem seus argumentos (pró e contra) e certamente bons motivos para estimular seus leitores a irem (ou não) à igreja. Até ai eu entendo e posso concordar. O que eu não entendo é porque vemos tanta gente agir da mesma maneira que os que ele condena agem. Eu explico. Leio textos de pessoas que atacam a instituição igreja com tanta convicção e paixão que acabam mostrando o mesmo tipo de intolerância com quem pensa diferente quanto tem/teriam os membros das igrejas que eles participaram. É uma verdadeira enxurrada de material ridicularizando este ou aquele pregador, esta ou aquela igreja, este ou aquele ministério. Isso me cansa. Esse enfado proclamado aos quatro ventos enfada também! Não quero dizer que não existam pastores maus, ou igrejas que manipulam ou exploram as pessoas. Mas a premissa de fazer disso uma regra é cansativa demais. Parece que ninguém mais presta!

Realmente não vejo sentido em ficar tanto tempo argumento contra algo, se a melhor opção seria sair de trás do computador , da sua zona de conforto e fazer algo de construtivo. Essa era a motivação de Jesus, afinal não vemos no NT ele reclamando o tempo todo do sistema judaico. O Senhor que muitos desses cristãos cansados de igreja dizem seguir mostrou sua insatisfação sim, mas agiu também. Jesus não ficou apenas fazendo piadas dos sacerdotes, nem escreveu textos ridicularizando os rituais e sacrifícios judaicos, tampouco incentivou os judeus sérios a simplesmente pararem de ir ao Templo. Da mesma maneira, os reformadores foram o que o nome indica, pessoas que buscaram reformar o que estava errado. Protestante no sentido de protestar contra o que estava ruim, errado, distorcido. Quando não conseguiram o que queriam, fundaram sua própria igreja. Sim, isso causou alguns problemas (e às vezes causa até hoje). Mas ao menos foi uma atitude coerente com o que pensavam.

Hoje em dia parece que é muito mais fácil ficar em casa apontando o dedo pros erros alheios. É fácil criticar todos os pastores e todas as igrejas como se fossem tudo a mesma coisa. Não sou cego aos problemas da igreja evangélica brasileira, nem penso que o cristão sincero não pode pensar. O que me cansa nisso tudo é ver que existem tantos ministérios sérios por aí, tantos missionários que dão sua vida pelo evangelho, tanta gente que só quer anunciar a salvação e viver pra Deus. Esse em geral eu não vejo eles escreverem nada, estão ocupados demais trabalhando em prol do Reino.

A maioria do pessoal que se diz cansado (ou livre) de igreja no fundo se acha melhor que nós, “os pobres coitados” que ainda acreditam que a Bíblia ensina que existe um corpo de Cristo e que esse corpo deve se reunir, algo instituído por Deus para que o evangelho seja anunciado. Gostaria realmente de saber até aonde vai o compromisso desse pessoal que se vangloria de estar cansado e de ter se libertado da instituição. Quantas pessoas eles levaram a Jesus no último ano? Quanto investiram do seu bolso na propagação do evangelho? Quanto tempo passaram orando por mudanças na sua própria vida? Orando pelos líderes que eles gostam de atacar? Uma resposta honesta seria bem-vinda. Acho que surpreenderia a muitos.

Poderia citar aqui muitos versículos para defender a igreja, mas não preciso fazer isso. Qualquer um que leia com honestidade o NT sabe como a igreja é retratada em suas páginas. Mas realmente estou cansado desse pessoal tentar fazer com que outros abandonem os bancos das igrejas. Já estive em igrejas em quatro continentes. Ela segue existindo, quer eles queriam quer não queiram. Por mais que se acuse e se ataque, tem dois mil anos que ela anda por ai e pelo que sei só terminará com a volta de Cristo.

Termino com um pedido e um lembrete. Pedido: Sua igreja está ruim? Faça sua parte para melhorá-la. Não deu, não quer? Abra sua própria igreja (não conheço outro termo bíblico para reunião de cristãos, sorry)! Aproveite essa disposição e inteligência que Deus te deu para ajudar outros a conhecer o caminho para Deus. E o lembrete? Meus caros irmãos cansados da igreja, Lucas 6:42 também vale para você “Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.”

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Guidom - Crombie

Eu sigo certo na contra-mão
Do meu desejo equivocado
Passei no meio da confusão
Andando sempre orientado
Eu não pedalo sozinho, não
Quem foi que disse que eu controlo meu guidom?
Quem me guia é quem me fez
E eu vivo um dia de cada vez
Que é pra eu não me perder
Nem me equivocar no meu querer
Quem me guia é quem me fez
E eu vivo um dia de cada vez
Deixo pra trás
A vontade de desistir
Trago comigo
A esperança no porvir
E a força pra prosseguir

Composição: Paulo Nazareth

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Contingência e o vôo 447



O mundo está em choque. De novo a contingência mostra sua cara na tragédia do vôo da Air France. Vale lembrar: contingência significa que os acontecimentos não são sempre necessários. Quando ocorre alguma coisa sem uma razão que a explique ou justifique. Contingência gera imprevisto; fatos que escapam à engrenagem da causa e do efeito. Um avião cai porque o mundo é contingente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus.

Diz-se no senso comum que as pessoas só morrem quando chega a hora. Caso isso fosse verdadeiro, o destino reuniu em uma aeronave as pessoas que deveriam morrer naquele dia. Isso daria à fatalidade um poder apavorante. Impossível pensar que gente de mais de trinta países entrou no vôo 447 sem saber que obedecia a uma força cega, que determinava aquele como o último dia de suas vidas.

Igualmente, acreditar que Deus permite a queda do avião porque tem algum propósito, soa esquisito. Cada pessoa, com histórias, projetos, sonhos, foi arrancada da existência para que se cumprisse qual objetivo? Um objetivo macro? Isto é, para que a humanidade aprendesse ou se arrependesse? Isso faria com que as biografias fossem descartáveis, desprezíveis. O Divino Oleiro, sem precisar se explicar, afogaria tanta gente para conduzir a macro história para o fim glorioso? Sim? Mesmo que exista esse deus, eu não o quero.

Também, algumas pessoas aceitam que Deus tem um plano para cada morte individual. Verdade, ele é Deus, tem todo o poder e é capaz de reunir, em um só lugar, quem deveria morrer. Mas também é bom. Então todos os passageiros foram eleitos para cumprir qual bem? Satisfaz pensar que o bem de ceifar tantas vidas, mesmo sem nenhum sentido do lado de cá, está garantido na eternidade? (Deus sabe o que faz?!?!) Como explicar tal conceito para pais, filhos e parentes desolados? Todos acorrentados à trágica realidade que lhes roubou de seus queridos.

A idéia de que Deus tem um plano para cada morte se esvazia diante dos números. Um avião caiu, mas o que dizer dos incontáveis acidentes de todos os dias? O que dizer das balas perdidas que aleijam transeuntes? E dos erros médicos ou dos acidentes de trânsito? Recentemente uma senhora de nossa comunidade caiu da laje da casa em construção. Ela fotografava a obra para que a filha ajudasse com as despesas do acabamento. Quebrou a coluna e ficou paraplégica. A última explicação que se poderia dar é que Deus tinha um plano em deixá-la paralítica.

Jesus nunca cogitou o mundo sem contingência. Pelo contrário, não atrelou a queda de uma torre aos desígnios divinos; não disse que a cegueira do homem era consequência causal das ações interiores, dele ou de seus pais; advertiu que os seus discípulos enfrentariam tempestade, aflição e morte.

Contingência é o espaço da liberdade, portanto, da condição humana. Sem contingência nos desumanizaríamos. A consciência do risco de adoecer e da imprevisibilidade da morte súbita é o preço que pagamos por nossa humanidade.

O desastre do avião mostra a inutilidade de pensar que o exercício correto da religião e a capacidade tecnológica mais excelente sejam suficientes para anular a contingência. Nossa vida é imprecisa e efêmera. Portanto, vivamos intensamente. Cada instante pode ser o último – Carpe Diem!

Soli Deo Gloria

sábado, 23 de maio de 2009

Tá na palma da mão!

Sabe aquelas lembranças super agradáveis que te dão vontade de voltar no tempo? A primeira pedalada de bicicleta que te fazia pensar em viajar por todo o mundo. O abraço apertado de quem já não está com você. As brincadeiras de criança que você levava super a sério. Seu primeiro vídeo game, naquela “versão Atari” (lembro da quase supermariolatria do Nintendo 64!). Sua formatura do jardim de infância que te fazia sentir um formando de medicina, diante de tantos flashes. Pois bem... Inúmeras são as boas lembranças, não é verdade?

Hoje, a lembrança que mais bateu à porta de minha memória foi a dedicação de mamãe em se mostrar presente sempre (até mesmo quando ela não estava fisicamente próxima de mim). Sei que muitos dirão isso, mas a minha mãe é a melhor mãe do mundo! Engraçada, charmosa, expert em bolo de chocolate, pequenina, sábia, conselheira... Qualidades de montão! Sim, papai também é gente boa. Um dia, dedico um post ao meu velho...

De todas as lembranças que tenho da minha mãe, a que mais me encanta se refere a sua sensibilidade. Quando, por algum motivo, ela não conseguia me acordar com seu sorriso e saudação de bom dia, deixava a marca de seu beijo na minha mão. Ah! Você sabe, né? Nos anos 80/início dos 90, o batom era um bom carimbo... Ou você não assistia ao Xou da Xuxa? Carinhosa e sabiamente, minha mãe soube usar deste carimbo muito bem pra me dizer: “Estive aqui e te beijei. Não se preocupe. Mamãe já volta.” Assim, te pergunto: tem algo mais pessoal e próximo da vista que as mãos? Não é à toa que muita gente, na falta de um bloco de notas, agenda ou simples folha de papel, escreve na(s) mão(s).

Curiosamente, relacionei os cravos que feriram as mãos de Cristo na cruz do madeiro como marcas/carimbos de seu amor por mim. Quando abri meu coração a Cristo, confessando a Ele o meu pecado, me tornei Seu filho. E sabe o que Ele fez? Gravou o meu nome em Suas mãos. Tem como Ele me esquecer? De forma alguma! Tá na palma da mão! Aleluia! Graças a Deus!

“Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa esquecê-lo, eu não me esquecerei de você! Veja, eu gravei você nas palmas das minhas mãos; seus muros estão sempre diante de mim.” (Isaías 49:15-16)

sábado, 16 de maio de 2009

Cruz Credo! [parte II]


Não acredito em treinamentos evangelísticos pra impactar gente, se não há comprometimento em conhecer essa gente. Creio que preciso cair na graça do povo.

Não acredito em congressos de avivamento espiritual, se não há mudança de mente e coração. Creio na metanoia.

Não acredito que vamos alcançar o mundo pra Cristo com nossas marchas, panfletagens, gritarias que incomodam a vizinhança próxima da igreja... Creio que é o Espírito quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo.

Não acredito em liderança relacionada à idéia de “último topo da montanha”: quantidade de membros/seguidores, participação de “palestras sobre liderança”, títulos... Creio que liderar é servir: mordomia.

Não acredito no cristianismo das irmãs de oração que passam mais tempo na igreja do que batendo um papo com seus filhos (alguns, afastados do evangelho). Creio que o ativismo religioso é uma fuga [1].

Não acredito em crentes que projetam templos faraônicos, ao mesmo tempo em que há gente passando fome nos arredores. Creio numa igreja relevante às necessidades sociais de sua “Jerusalém”: solidariedade.

Não acredito que títulos qualifiquem alguém como espiritual. Assumir vários cargos pode ser uma desculpa para não estar em família, por exemplo. Creio que o ativismo religioso é uma fuga [2].

Não acredito que profissão seja o inverso de missão. Creio na missão integral.

Não acredito no “mais novo método de evangelização”. Creio que minha vida é o melhor método para levar alguém a Cristo: discipulado.

Não acredito que tenho a obrigação de pagar cachê pra ministro bacana. Creio na oferta voluntária.

Não acredito na teologia da prosperidade. Creio que a Graça de Deus é o suficiente.

Não acredito nos livros/blogs de auto-ajuda, com todas as suas boas intenções. Creio na comunhão entre os crentes: mutualidade.

Não acredito na oração como varinha de condão ou lâmpada mágica do Aladim. Creio na soberania de Deus.

Não acredito em pessoas perfeitas. Creio que exista gente (inclusive a minha pessoa) sendo aperfeiçoada: santificação.

Não acredito na religião: faça isso, não faça aquilo... Creio que cristianismo é estilo de vida.

Não acredito em Papai Noel. Creio em Papai do Céu.

Agora, como diz o meu avô paterno:
- Quer me enganar? Então, me dá uma bala Juquinha...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Integral ou desnatado? [parte II]


Um dos grandes desafios da igreja cristã (pós) moderna é compreender sua vocação missionária. Lembro de meus tempos de garoto, na “escolinha dominical”. Desde pequeno, ouço falar de meu compromisso de compartilhar Jesus. Hoje, aos 22 anos de idade, me lembrei de um corinho infantil da época em que não existia a “dança do pingüim”: Eu vou crescer, eu vou crescer.../Crescer, crescer, crescer... /Crescer para Jesus./E quando eu estiver desse tamanho assim (hora de dar um pulo daqueles!),/eu quero trabalhar pra meu Jesus, sem fim! (“Tra-la-la...”)

Saudosismos à parte, estive pensando na possibilidade "desnatada" de se interpretar os versos finais dessa inocente canção: “E quando eu estiver desse tamanho assim,/eu quero trabalhar pra meu Jesus, sem fim!”. Sem nos darmos conta, corremos o risco de passarmos uma idéia errada do cristianismo as nossas crianças – como se não bastasse a compreensão distorcida da missão cristã por parte de alguns adultos... O que é “trabalhar pra meu Jesus, sem fim!”? O cristianismo do tipo desbravador, cruzadista, no estilo Indiana Jones? Aquele que o “vocacionado” enxerga Deus um “estraga prazer”? Creio que essa canção deve ser bem compreendida, pra que entendamos – finalmente – o que se tem nomeado de missão integral.

Antes mesmo de Ariovaldo Ramos, Francisco de Assis foi uma das pessoas que explicou o que é missão integral: “Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.” Percebemos, através dessa máxima franciscana, que pregar o evangelho não exige “palavras bonitas” – muito menos ensaiadas! (I Cor. 2.4) Pregar o evangelho não exige diploma de teologia. Pregar o evangelho não exige ser pastor de igreja. Pregar o evangelho não exige nível superior. Pregar o evangelho não exige ser “gente grande”! Pregar o evangelho exige viver o evangelho, na dependência de Deus – tal como uma criança depende de seu pai, diga-se de passagem. Não pretendo bancar o polêmico, procurando agulha no palheiro, através da análise do antigo corinho. De forma alguma! No entanto, se me permite, gostaria de sugerir uma importante reforma no último verso da musiquinha. Ainda que a métrica fique ruim, para o bem da missão (que também é infantil), sugiro: “E quando eu estiver desse tamanho assim,/eu quero continuar trabalhando pra meu Jesus, sem fim!”

Lembro de outro corinho infantil que – graças a Deus! – não precisa de reforma, pois sua letra expressa muito bem a integralidade da missão:

Posso ser um missionariozinho,
Se falar de Cristo ao companheirinho;
Posso trabalhar em minha terra

Manda-me, pois, Senhor!

Não preciso atravessar os mares
Para dar aos outros novas salutares;
Posso fornecer sustento aos outros

Que meu Senhor mandou.

Hei de orar e trabalhar fielmente;
Caso Deus me chame seguirei contente
Para os campos que vão branquejando

Dispõe de mim, Senhor.

Posso ser um missionariozinho (Harold Deal/Henry Dekoven Bartells)