quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Quando o ministério vira um negócio...



Se apenas uma oração me restasse, pediria a Deus: “Pai, não permita que eu perca a simplicidade do Evangelho”. Tenho orado assim... Não, isso não é uma reza. Não estou propondo “regra de três” pra falar com Deus. Ah, sim! Claro que desejo muita coisa e um pouco mais... Porém, quero que meus desejos estejam submissos ao Cristianismo puro e simples. Porque a simplicidade do Evangelho nos alegra e cativa as pessoas que estão a nossa volta. Não quero me deixar levar por essa correria que tem tomado conta de nosso pasto, incluindo os movimentos religiosos alternativos – o que não me assusta, porque ainda que sejam “alternativos”, são “religiosos”.

Lendo os Evangelhos, precisamente, os três anos do ministério de Jesus, percebo o quanto Cristo se preocupou com gente. O recado a Simão Pedro foi pra que ele apascentasse suas ovelhas e não pra que montasse um ministério de não sei o quê. Com todos os problemas ocorridos na Igreja primitiva, os primeiros cristãos aprenderam direitinho com Cristo [e foi exatamente por isso que eles ganharam o apelido de “cristãos”. Eram parecidos com o Cristo, ora!]. Igreja primitiva... Acho que somos mais primitivos que eles!

Convido você a [re] ler do versículo 42 ao 47 do Livro de Atos: útero da igreja cristã [quando não havia batistas, presbiterianos, metodistas, assembleianos, católicos, ortodoxos, neopentecostais, cristãos undergrounds, “visão celular”, “igreja com propósitos”, igreja sem propósitos, oficina G12...]. No princípio da Igreja cristã, a Igreja era cristã e ponto. Não lemos, por exemplo, uma descrição detalhada [com pormenores] de como era a reunião dos cristãos pra ganharem novos crentes. Não lemos versículos em que os primeiros cristãos discutiam qual seria o nome da festa evangelística que iria “impactar” toda a região.

Não estou propondo um movimento anarco-protestante! Creio que era uma igreja organizada, sim! Porém, não enxergo uma Igreja refém da agenda. Os primeiros cristãos não tinham uma cartilha de “como se relacionar com o próximo”. Simplesmente se relacionavam, “caíam na graça do povo”. Isso mesmo! Os cristãos “primitivos” eram simpáticos, engraçados! Cá entre nós, eu os imagino na pracinha da cidade conversando com as pessoas, jogando dominó, organizando um campeonato de futebol com a vizinhança... Evangelismo? Sim, natural e espontaneamente. Sem momentos específicos... Falavam de Jesus a qualquer momento... E até mesmo sem abrirem a boca. O comportamento falava mais alto que os versículos decorados. Reparou que na maioria das vezes em que conversamos com os "do mundo" é porque estamos num projeto missionário?

Acredito que nossos ministérios viram um negócio quando desprezamos a simplicidade do Cristianismo... Nossos eventos devem ser um pretexto pra que façamos aquilo que deve ser nosso estilo de vida. Caso contrário, será mais uma tarefa. Como um trabalhador que assina seu cartão de ponto e executa suas tarefas do dia, corremos o risco de transformarmos algo tão dinâmico que é o Reino de Deus numa série de funções. Domingo: ir à igreja; segunda-feira: reunião de líderes; terça-feira: reunião de oração pelo congresso do poder; quarta-feira: culto das causas impossíveis; quinta-feira: reunião de oração; sexta-feira: vigília da conquista; sábado: culto da juventude. Aviso: qualquer semelhança com qualquer igreja não é mera coincidência.

Quem sou eu para os meus vizinhos? Quem sou eu para os meus amigos de faculdade? Quem sou eu para os meus professores? Quem sou eu para os “não-alcançados”? [sem ir à janela 10/40 ou a um país pobre, necessariamente...]. E não vale aquele papo de que “somos perseguidos”, por favor! O Brasil está longe de tal perseguição! Como anda nossa “liturgia”? Somos criativos, engraçados, simpáticos ou enfadonhos, mal-humorados, chatos? Talvez a nossa “perseguição” tenha um bom motivo, não é mesmo? Não proponho modelos de criatividade, simpatia, graça... Porque nossa simpatia é natural. Pelo menos deve ser. Não me assusto quando vejo pessoas saindo das igrejas e indo para o mundo... Não mesmo! Fico triste... Agora, assustado? De forma alguma. “Ele (a) era tão envolvido com o ministério!” Disseste bem... Era envolvido com o ministério, mas não pelo Deus do ministério. E antes de tacar as pedras... Se eu não vigiar, sou o próximo. Por isso: "Pai, não permita que eu perca a simplicidade do Evangelho”.

“Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.” [João 21: 17]

domingo, 1 de fevereiro de 2009

santificAÇÃO



Fomos gerados para o Teu louvor
Santificados para Te adorar

Quero dançar em Tua chuva
Quero beber de Teus rios
E mergulhar no oceano da adoração

Minh' alma tem sede de Ti
Quero rasgar meu coração
Teu fogo queimando o meu ser, meu interior

Fala comigo, Senhor
Conte comigo até o fim
Fala comigo, Senhor
Quero ser santo diante de Ti

Aviva-me, transforma-me
Quero ser santo diante de Ti

"Aviva-nos, Senhor! Eis nossa petição. Ateia o fogo do alto céu em cada coração!" [Avivamento - 171 Cantor Cristão]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sobre motivação: o pulo do gato!

“Não importa se o gato é preto ou branco. O que importa é que o gato come o rato.” [provérbio chinês]

Esse provérbio chinês foi anunciado por Deng Xiaoping, um importante líder [chinês...], por conta do caráter paradoxal no que se refere à política e economia de sua nação: um regime fechado [comunista], mas de economia de mercado... Quer uma demonstração? Em sua casa, procure por adesivos e etiquetas “Made in”. Certamente, você vai encontrar muitos produtos chineses, desde “roupas de baixo” até aparelhos eletrônicos. Aposto! E as pastelarias?! Chineses empreendedores, não? Ah! Você já deve ter sido informado que a economia chinesa é a que mais cresce no mundo, apesar da crise mundial... Fórmula para um “negócio da China”: “Um país, dois sistemas.” [Deng Xiaoping]

Pois bem... Provavelmente você deve estar se perguntando: “Tá! Mas o que isso tem a ver com ‘motivação’”? Daí, eu respondo: Nada. Foi só pra expor meus conhecimentos [gargalhadas]. Estou brincando... Tem algo relacionado. Baseando a despreocupação com a cor do gato à postulação de alguns teóricos da Ciência Política, posso arriscar que essa frase tem um sentido utilitário ou – até mesmo – maquiavélico... Utilitário porque busca satisfação pessoal; maquiavélico porque – ah! Você sabe... – “os fins justificam os meios.” Stuart Mill e Maquiavel devem estar se revirando no túmulo, por conta de minha síntese do que eles levaram páginas e mais páginas pra teorizarem...

Deixando os dois pensadores em paz [e este não é um blog espírita...], acredito que o tal provérbio pode ser usado quando o “quê?” é mais importante que o “como?”. As mediações, a forma, o jeito... Tudo isso é desprezado. O que mais importa é o resultado final. Se minha vontade é exterminar o rato, por que discutir a cor do gato, contanto que seja um bom predador?! Ora, gatos que se prezam comem ratos! Sem levar em conta o preguiçoso Garfield, por favor, sim?

Mas, a vida não se encontra nos recadinhos do biscoito chinês da sorte... Não basta estar vivo. É preciso viver a vida [ainda que essa frase pareça redundante]! Não se aproveita a vida com um modelo causa-efeito. A vida é dinâmica, dialética, surpreendente, cheia de lutas e desafios... O que me faz viver? Vivo pra cumprir o rito nascer-crescer-morrer? E no meio desse “rito”? Não há envolvimento com gente? Como tenho influenciado essa gente que participa de minha vida? Preciso tomar cuidado com essa pragmática chinesa e me preocupar com a “cor do gato”...

Não basta participar de causas humanitárias, atos pra “impactar o mundo”, ações sociais, acender vela na janela, dizimar... Se estiver apenas preocupado em cumprir tarefas [“o gato come o rato”], é sino que faz barulho! Qual é minha motivação? Quero influenciar vidas? Que Deus sonde meu coração e me guie pelo caminho eterno! Qual é a “cor do gato”? De acordo com a minha resposta, descubro qual é minha motivação: o pulo do gato!

“Orem por mim pra que eu não solte as mãos de Jesus mesmo sob o pretexto de ministrar aos pobres.” [Madre Teresa de Calcutá]

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Metamorfose de Vida: Jesus Cristo.


Sou gerado por Cristo
Tenho vida em Deus
O que era velho se fez novo
E o que era morto renasceu

Para o mundo morri
Não vivo mais eu
Jesus Cristo vive em mim
Para a Glória de Deus

Sou renovado dia a dia
Não vivo mais imundo
Transformado pelo Espírito
Não pertenço a este mundo
Por Cristo sou remido
De toda acusação
Sou guiado por Jesus
E moldado por Suas mãos

Transformado quero ser
E não viver mais por viver

"Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!" [II Coríntios 5: 17]

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Rapazes malhados e um por detrás das malhadas.

Dia desses, caminhando, me deparei com uma frase bem chamativa numa revista masculina. Não, não era a Playboy... Era uma revista sobre saúde masculina: Men's Health. Conhece? Pois bem... Era daquelas típicas frases de início e fim de ano: "Aproveite o verão com a barriga enxuta"... "Acabe com os pneuzinhos"... Foi mais um momento de boas gargalhadas, sozinho, na rua. Gargalhadas com um quê de indignação, sabe? Como as pessoas conseguem ser reféns dos padrões de beleza [belezacracia]! Quem me conhece, sabe como gosto de caminhar [e correr também!]. É bom demais! Caminhada e uns metros de corrida me dão mais disposição, vigor, ânimo... Faço isso diariamente, exceto aos domingos [meu shabat...] e quando volto às aulas [nesse caso, restam os sábados e feriados...].

Porém, e graças a Deus por isso, não sou escravo dessa regulação maluca que Foucault nomeia de biopoder [pelo menos, não quero]. Acredito que essa mega valorização do corpo tem raízes profundas no mundo das aparências; esse mundo é este mundo, nosso mundo. Triste, não? Mas é isso, aí! A necessidade de ser aceito faz o homem se guiar pelas aparências. É uma sociedade do espetáculo, meu caro. Sabe “ser versus ter”? Ih, essa guerrinha já não existe faz tempo! Porque se você não tem – advinha, só! – você pode aparentar ter. A nova temporada da Malhação – o Chaves da Rede Globo – está pra começar; com ela, você já sabe, aquelas personagens do mundo “faz de conta”: A Maricotinha que gosta do Roger, mas está grávida do Bob; o Bob que transou sem camisinha com a Maricotinha, mas passa o dia inteiro na praia pegando onda [e garotas! Como se nada tivesse acontecido...]; e por aí vai. Ah! Se o diretor quiser botar ação no enredo, o Bob será soropositivo; assim, a novela poderá “conscientizar a juventude a ter uma relação segura”.

Como já escrevi, a valorização das aparências tem raízes profundas. Voltemos, então, no tempo... Saul, um rei insano, embora ungido por Deus, se achava o rei da cocada preta. Até que o Deus de Israel troca uma idéia com Samuka [aquele que cresceu no templo com o sacerdote Eli porque sua mãe, quando estéril, havia feito uma aliança com Deus de consagrar seu filho...]. Era necessário outro rei. Um rei que fosse amigo de Deus, não um doido varrido [embora ungido, importante ressaltar!].

“Então disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite, e vem, enviar-te-ei a Jessé o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.” [I Samuel 16:1]

Atenção, senhores! Hora do desfile... Jessé Fashion Day [uma versão belemita do São Paulo Fashion Week]. Para o espanto de todos, Deus não havia escolhido nenhum dos parrudos/de “barriga enxuta” presentes... Como sempre, nos supreendendo! “[...] porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.” [I Samuel 16:7]. Mas não há ninguém? Onde está o rei prometido por Deus? Ah, tinha um rapaz [o caçulinha] por detrás das malhadas... Mas, cá entre nós, é pra ser rei ou pastor de ovelhas, seu Samuka? [nós e a nossa ajudinha pra Deus...]. Samuka, sem pestanejar, manda chamá-lo. Sem dúvida, esta é a cena que gostaria de presenciar: o pequeno Davi é ungido rei diante de seus familiares e, segundo as Escrituras, a partir daquele dia, o Espírito do SENHOR se apoderou dele.

Dá pra imaginar o óleo caindo sobre os cachinhos de Davi?! [sim, eu o imagino de cachinhos...]. Que cena! Que momento único! Certamente, Deus conhecia o coração daquele rapaz! [que, diga-se de passagem, não fazia idéia do que o SENHOR lhe reservava]. Essa história me fascina porque vejo um [o] Deus simples, que se apresenta de forma simples àqueles que têm um coração puro. Um Deus que me molda a fim de que eu seja um “homem perfeito, à medida estatura completa de Cristo.” [Efésios 4:13] – e não de acordo com a tal revista. Ah, quer saber? Espero, num dia desses em que eu estiver caminhando ou correndo, ler algo assim: “Aproveite todas as estações do ano com um coração puro” ou “Acabe com a desigualdade social”... Leitura Recomendada: o bom e velho Salmo 23.

“E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.” [Jeremias 29:13]

Shalom! [bééé...]

P.S.: O blogueiro não está fazendo uma apologia ao sedentarismo. De forma alguma! [continuo caminhando, mas sem me preocupar com a fita métrica...].

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Integral ou desnatado?

No mundo das escolhas, em que tudo parece que está numa prateleira de supermercado, as pessoas se vêem como consumidoras de tudo [e um pouco mais]. O campo de ofertas se estende a tal ponto que o consumidor se vê perdido em meio a tantas escolhas: diet, light, “com toque de limão”, integral, desnatado, instantâneo etc.

A verdade é que as nossas relações também viraram produto de prateleira. Parece que fomos industrializados e temos até data de vencimento [“best before...”]. Quietude, espera, meditação, dentre outras disciplinas contemplativas, não são bem quistas entre nós. Um exemplo disso é a frase dos que se aventuram no amor: “A fila anda” - como se o coração fosse um produto na linha de montagem de um modelo fordista, feito para ser consumido como os demais bens de produção duráveis. Bem, na verdade, não tão duráveis assim, vamos combinar... Você sabe, né? É a lógica capitalista: os bens não podem durar tanto, pra economia girar [já temos um outro modelo: toyotismo, que na explicação schumpeteriana vem a ser a “destruição criadora” que troca o velho pelo novo. Estou estudando! hehe...].

Outra coisa é perceber como a nossa espiritualidade tem sido alvo dessa correria desenfreada. São tantas as programações, eventos, congressos, vigílias, projetos, louvorzões... que me pergunto, sinceramente, onde está Deus nisso tudo. De um tempo pra cá, “missão integral” tem sido tema corrente em oficinas, palestras, periódicos, boletins dominicais e outras formas de mídia evangélica. Mas, cá entre nós, “missão integral” não é uma invenção de missiólogos! As Sagradas Escrituras nos apresentam ótimos exemplos de “missão integral”. Nada melhor que a parábola do bom samaritano!

"Ide e fazei discípulos de todas as nações..." . A Grande Comissão [cada vez menor...] é muito mais que um tema augusto, sublime, majestoso... Pra mim, Jesus Cristo não estalou os dedos e deu essa ordem aos seus discípulos. Não! Ele demonstrou isso, em seu ministério, através de seu relacionamento com o próximo: a mulher samaritana [era mulher e samaritana!], a mulher cananéia [era mulher e cananéia!], a escolha de Levi [um cobrador de impostos!], dentre outros personagens que faziam qualquer judeu sentir coceira só em mencioná-los.

Gente não é andróide. Gente tem sentimentos, emoções, sonhos, projetos, desejos... E é justamente nessa rede de gente que a missão integral se apresenta. Não há espaço para estruturas, porque a vida é dinâmica e Deus se revela de forma dinâmica: impossível formatar Deus. A nossa própria fala nos denuncia, quando dizemos, por exemplo, inocentemente: “Vou ao culto”. Mas será que precisamos ir ao templo pra cultuarmos Deus? E o nosso dia-a-dia? Não, este não é um discurso liberal! Ir à igreja é importante, sim! Já dizia o salmista: “Alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor.” Aliás, como alguém já disse: “não se vai à Igreja, mas se é Igreja.”

Não sou o Richard Foster ou o Rick Warren, mas constato que existe uma praga que ronda a Igreja de Cristo: a praga do ativismo. Ativismo é quando consideramos as tarefas essenciais para o cumprimento do “Ide” de Jesus. Chamo de praga porque elas aparentam ser boas... pra crescer a Igreja. Contudo, repare no verbo: “aparentam”, isto é, não “são”. É como se medíssemos a espiritualidade de alguém pelo número de cargos, títulos, “promoções”... recebidos na Igreja. E assim, fazemos do Cristianismo uma grande empresa. Os “fermentos” para o seu crescimento são dos mais variados [basta entrar numa livraria evangélica e ver a quantidade de livros para o “crescimento” da Igreja]. O problema é a motivação errada desse crescimento: tão-somente quantitativo? E a qualidade [investir em relacionamentos sadios]?

Quando escrevo essas coisas e as coloco no blog, sinto uma mistura de tristeza e alegria. Tristeza porque me vejo nesse grupo de pessoas que já correu de um lado pro outro, procurando “fazer algo pra Deus” [e se não vigiar, volto àquela correria outra vez...]; alegria por ter sido despertado [por Deus] ao convite de uma vida dinâmica a ponto de não “entrar em crise” porque não abri a boca pra falar do plano da salvação. Descobri que ser cristão é me relacionar com Deus e amar o meu próximo. Dias de evangelismo, por exemplo, são como um megafone pra me lembrar de minha responsabilidade de compartilhar o amor de Deus: algo que devo fazer diariamente. Afinal, evangelismo é meu estilo de vida [ou não é?]. De acordo com a minha resposta, constatarei que tipo de cristianismo vivo: integral ou desnatado?

“Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.” [São Francisco de Assis]

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"A gente somos inútil!"

“E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.” [Gênesis 5:24]

Este versículo tem falado muito comigo! Muito mesmo! E olha que é um versículo bem conhecido, hein! Daqueles que a gente ouve desde criança, como Salmo 23:1 e João 3:16. Leio, releio e constato a riqueza do propósito de Deus para o homem: uma vida abundante, através do relacionamento Criador - criatura. Pode parecer um comentário gótico... Mas é um belo epitáfio, não acha?

A Bíblia não nos traz muita informação sobre as atividades desempenhadas por este homem. Pode até ser que ele tenha sido embaixador do Rei ou, quem sabe, corista, presidente da União de Adolescentes, líder da Juventude de sua comunidade, “evangelista dos evangelistas”... Será que ele chegou a ser um missionário [daqueles que largam tudo pela causa]? Ah, já sei: ele pode ter gravado um CD... Foi ordenado ao ministério pastoral... Não! Tornou-se um apóstolo; dessa forma, montou uma grande rede de TV e rádio, cobrindo toda a “tribo” com a mensagem de sua igreja...

Não se preocupe! Não estou com um parafuso a menos. É claro que não existia televisão, rádio, CD, nem Embaixador do Rei [“laialaialaialaia... JESUS!”]... O que quero dizer é que aprendo, ao ler este conhecido versículo, que tudo o que Deus deseja de nós é relacionamento. É a proposta mais louca que já vi em toda minha vida [tenho 21 anos]. Por quê? Porque relacionamento é correr risco - sem o sentido de “atirar pra todos os lados”, por favor [não coloque palavras em minha boca, ou melhor, no meu blog...].

Relacionamento não é uma cláusula ou formulário em que se analisam, de forma cautelosa, todos os prós e contras - inclusive as letrinhas miúdas [se tiver uma lupa, melhor...] -, pra que tudo fique bem claro acerca daquilo que será “investido”. Relacionamento é a coisa mais inútil do mundo! Sim, porque não se trata de um toma-lá-dá-cá. Relacionamento não é uma barganha ou troca de interesses. Relacionamento é uma grande descoberta. Não fazia idéia de algumas coisas que passaria com Deus, desde que disse “sim” a Ele. Mas, ainda assim, posso te dizer que me relacionar com Deus foi [e tem sido] uma grande descoberta, que a cada dia me fascina [fascinação é a melhor descrição indescritível pra minha caminhada com Deus!].

Não quero nem entrar no mérito da Graça de Deus, porque não sou teólogo [deixa para quem sabe, né? Embora o teólogo Paul Tillich tenha afirmado que “Deus está além de Deus.” Concordo!]. O que quero destacar é o “tô nem aí” de Deus pra nossa agenda e calendário cristãos nem um pouco cristocêntricos, mas tarefacêntricos. Por muitas vezes, corremos de um lado pro outro e nos igualamos àquela mulher-do-poço que perguntou a Jesus em qual monte o Criador deveria ser adorado. Ou à Marta que se preocupou em fazer um banquete [bolinhos de chuva, talvez...] e deixar a casa super limpa [com cheirinho de VEJA Multi-Uso], no lugar de estar aos pés de Jesus e se deleitar com suas palavras. Acho que essas mulheres tinham até boa intenção, sabe? Queriam oferecer o melhor pra Deus. Afinal de contas, “pra Deus tem que ser o melhor”, não é mesmo? Sim, mas o que Deus deseja de nós é APENAS relacionamento. Simples, não? Isso até me constrange...

Não acredito que a história de vida de Enoque tenha sido resumida por falta de tinta na caneta [pena?] de Moisés. Acredito que a curta biografia não rendeu um livro com inúmeras páginas porque o Criador quis nos ensinar algo, através da vida de Enoque, de uma forma simples, sobre uma vida simples que agrada a Ele [Super-abundante... “clap, clap”... Gra-a-ça...]: Deus deseja se relacionar conosco a ponto dEle decidir nos tomar para Si. Ele quer que sejamos Seus amigos, tal como Abraão o foi [mas este é um outro post...]. E você? É um líder de ministério ou, mais que isso, amigo de Deus? Tem um relacionamento útil [o que não seria um relacionamento, mas uma negociata] ou inútil [despretensioso/sem interesses]?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

DaS vAnTaGeNs De SeR bObO - ClArIcE LiSpEcToR


O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."


Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.


O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"


Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!


Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.


O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.


Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!


Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

"O bom humor é a mão de Deus sobre os ombros de um mundo triste." [Autor Desconhecido. Deve ser um bobo...]

domingo, 3 de agosto de 2008

Cuidado com o sino!

Amanhã é dia de "volta às aulas"! Acordar bem cedo e atravessar a Baía de Guanabara by BARCAS S/A, rumo ao meu campus que fica no Centro do Rio: IFCS/UFRJ. Não gosto da ponte Rio-Niterói! Na maioria das vezes que me deixei levar pelo "ônibus que me deixa em frente ao IFCS", me atrasei. Sabe aquela música do Seu Jorge?! "São Gonça"...

Pra mim, volta às aulas significa muito mais que rever os colegas de classe e ouvir [mais uma vez] os problemas enfrentados pela universidade pública [o REUNI é exemplo de um dos principais monstros a ser combatido, segundo os CAs de esquerda].

Acima de toda "rotina", como alguns podem pensar, voltar às aulas é conviver com pessoas que sonham, desejam, têm esperança, acreditam, militam...

Um prédio histórico no Largo de São Francisco, onde se reúnem três dos "cursos mais fechados ao evangelho" - afirmam aqueles que nunca investiram alguns minutos sequer num bate-papo sobre "assuntos espirituais". História, Filosofia e Ciências Sociais são os cursos ministrados pelo IFCS [Instituto de Filosofia e Ciências Sociais] - prédio localizado a alguns metros de uma Igreja Católica.

Tradicionalmente, de hora em hora, ouvem-se as batidas do sino da igreja. Acho interessante e até irônico, porque o sino acabou se tornando o relógio oficial de nossa instituição [laica]. Não sou sinólogo [palavra que acabo de criar para "especialista em sinos"...], mas existe uma espécie de intervalo pra que o sino bata tantas vezes quanto os ponteiros do relógio apontam as horas que se passaram. 12h - isso significa que os estudantes e demais pessoas próximas à igreja serão agraciados pelo "blooooommm..." durante doze vezes.

Desconsiderando a simbologia do sino [seu valor religioso], há pessoas que não gostam de seu "barulho" e outras que curtem essa tradição católica. Gostando ou não dos longos "blooommm...", o fato é que em algum momento o sino não será mais tocado. Nem seu eco será ouvido. Ainda que se faça "barulho", seu som não é duradouro/eterno. Sempre que ouço os sinos, imediatamente me lembro de I Coríntios 13 e reflito sobre como anda meu christian way of life...

De que adianta fazer tudo bonitinho, certinho, engomadinho... se minha prioridade não for o amor? Ainda que eu escreva um livro [ou blog] repleto de poesias, ainda que eu tenha "bíceps do Popeye" [pra conquistar a "Olívia"], ainda que eu atravesse o Atlântico nadando [pra "fazer Missões"], ainda que eu seja líder de ministério, ainda que eu pregue como ninguém, ainda que eu participe de inúmeros congressos de "despertamento espiritual", ainda que eu seja contra o REUNI, ainda que eu ajude um cego a atravessar a rua, ainda que seja o garoto que vive de bom-humor, ainda que dance no louvor, ainda que cante no coral da igreja, ainda que cure alguém, ainda que escreva isso tudo, ainda que... "se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine". [I Coríntios 13:1b]

De todos os sonhos, projetos, desejos... Quais são minhas reais intenções em minha vontade de "impactar o mundo" [ou a universidade]? O Evangelho é tão rico que vale pra todas as áreas de minha vida: sentimental, emocional, espiritual, estudantil, profissional, ministerial e outros "al". Se o amor não for prioridade, de nada adianta - assim como o sino, ainda que se faça "barulho", seu som não é duradouro/eterno. O amor é o que mais importa. O resto é resto, ou melhor, é sino ["blooommm..."].

"Três palavrinhas só, eu aprendi de cor: Deus é amor. Tra-la-la-la-la-la-la-la-la". [Uma canção para crianças. Só para crianças?]

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Qual é sua geração?

Do dia 23 a 24 de maio, participei de uma conferência em São Paulo, realizada pelo Passion: um ministério voltado a "despertar espiritualmente" [foi a definição que mais ouvi] os estudantes universitários do mundo todo. Sua visão encontra-se no livro do profeta Isaías, capítulo 26, versículo 8 ["Geração 268"]:

"No caminho dos teus juízos, Senhor, temos esperado por ti; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma."

Curiosamente, em minha mente [desculpe o eco...], veio a inevitável comparação ao quadragésimo aniversário da juventude de "maio de 68" [aquela das barricadas e frases criativas, como: "As paredes têm ouvidos, os ouvidos têm paredes"]. A "Geração 68" foi uma geração marcada pela força dos movimentos estudantis no cenário político [restringi à política, mas sua influência cultural, por exemplo, é incontestável]. Sim, claro que rola um certo saudosismo por parte de algumas pessoas. "Flores nos cabelos", "movimento hippie", "paz e amor", "revolução já!", "caminhar contra o vento sem lenço e sem documento"... Tem gente que deve até chorar de saudade dessa época. Muito se foi espetacularizado - pra fazer uma analogia à máxima de Guy Debord [estou estudando! hehe...].

"Façamos justiça! Foi uma época de conscientização social que até hoje tem influenciado movimentos de resistência em todo o mundo" - diria um militante orgulhoso por sua geração 68. Não sou de debochar de tempos passados! Em alguns casos, águas passadas movem moinhos, sim! Eu mesmo me amarro nas canções de antigamente, por exemplo. Como sinto saudades da vitrola daqui de casa! Eu me lembro perfeitamente de quando meus pais colocavam os LPs do Grupo Logos: "Você amigo também/ Pode esperá-lo assim/ É preciso, entretanto, entregar-lhe o coração/ E então, vem cantar/ Que bom será..." Hmm... Olha o cheirinho de naftalina!! hehe...

O problema é quando a geração vira um rótulo. Aí, já viu, né? "Geração coca-cola", "geração extravagante" [extragavante?], geração disso, geração daquilo... Não quero tirar os méritos dessa juventude que pôs a cara à tapa por suas convicções. Mas, pessoas continuam sofrendo todo tipo de violência possível: física, emocional, verbal, doméstica... Há quem diga que a frase "Vamos mudar o mundo!" anda meio fora de moda, sabe? Também, pudera! O que mudou de 68 pra cá? Não influenciaremos nossa geração por nossas forças, nosso jeito, nossa vontade. Aliás, a nossa vontade é ruim, imperfeita e desagradável. Discorda? Então discuta com o apóstolo Paulo, o "apóstolo dos gentios". Foi ele quem escreveu isso, divinamente inspirado - importante ressaltar [Romanos 12:2].

Não podemos colocar Deus numa caixa de sapato, pra que Ele se renda à nossa vontade de mudar o mundo. Por quê? Porque isso não é possível, caro leitor! Ainda assim, vez por outra, tentamos engavetar Deus, não é mesmo? Ou colocá-Lo na lâmpada mágica do Aladdin... Ou consultá-Lo nas páginas de um livro de Teologia Sistemática... Somente Deus tem a melhor maneira de transformar o mundo. Deus interfere na história!

Não sou eu que vou explicar neste curto espaço um assunto tão abrangente como o "conflito de gerações". Mas, se me permite, direi que a relação "pais e filhos" [me refiro à gerações distintas] reflete algumas contribuições [aparentemente contraditórias]. Perceba: Enquanto o adulto faz de sua "experiência de vida" um ideal, critica as novas formas de pensar da juventude. Como o homem se contradiz! Apegado aos "ideais" de sua experiência, a geração "experiente" se isola em sua "torre de marfim" e faz de sua crítica aos "devaneios da juventude" uma bandeira. Nada mais juvenil, não? E vira uma bola de neve [dialética, pra falar bonito...]. Entendeu? hehe... Resumindo: ambos estão falando do mesmo assunto, mas com idiomas diferentes. Todos querem transformação!

"Você me diz que seus pais não lhe entendem. Mas você não entende seus pais.Você culpa seus pais por tudo. E isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser, quando você crescer?" [Renato Russo - Pais e Filhos]

A verdade é que todos querem transformação, mas poucos querem ser transformados. Precisamos de relacionamentos que transformem atitudes e caráter. How? [pergunta o falante da língua inglesa...]

a) através do PAC; b) através de ONGs; c) através da religião; d) através da Fundação Roberto Marinho; e) nenhuma das anteriores. Espero que você tenha marcado a alternativa "e)", pois a mudança que o mundo tanto precisa não virá de esforços humanos. Somente Deus, através de Seu filho Jesus, pra mudar nosso mundo. Geração 268? Sim! Sou "geração 268" porque - e somente porque - em Deus está o desejo de minha alma. "Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre." [Eclesiastes 1:4].


Geração vai, geração vem
E a terra permanece pra sempre
Do pó veio o homem e ao pó vai voltar
E suas riquezas vão ficar
Levanta-se o sol, põe-se o sol
E a sua origem retorna novamente
A vida e os seus ciclos,
Formas que retornam ao princípio:
Deus e o homem, perfeita união
Nada é tão novo e nada é tão velho
A vida e os seus mistérios
Um homem e uma cruz, vida e luz,
Jesus o "Cordeiro de Deus"
Levanta-se o sol, põe-se o sol
E à sua origem retorna novamente
O que nos resta, senão retornarmos aos princípios:
Deus e o homem, perfeita união
[Oficina G3 - José Afram Júnior]