segunda-feira, 11 de maio de 2009

Integral ou desnatado? [parte II]


Um dos grandes desafios da igreja cristã (pós) moderna é compreender sua vocação missionária. Lembro de meus tempos de garoto, na “escolinha dominical”. Desde pequeno, ouço falar de meu compromisso de compartilhar Jesus. Hoje, aos 22 anos de idade, me lembrei de um corinho infantil da época em que não existia a “dança do pingüim”: Eu vou crescer, eu vou crescer.../Crescer, crescer, crescer... /Crescer para Jesus./E quando eu estiver desse tamanho assim (hora de dar um pulo daqueles!),/eu quero trabalhar pra meu Jesus, sem fim! (“Tra-la-la...”)

Saudosismos à parte, estive pensando na possibilidade "desnatada" de se interpretar os versos finais dessa inocente canção: “E quando eu estiver desse tamanho assim,/eu quero trabalhar pra meu Jesus, sem fim!”. Sem nos darmos conta, corremos o risco de passarmos uma idéia errada do cristianismo as nossas crianças – como se não bastasse a compreensão distorcida da missão cristã por parte de alguns adultos... O que é “trabalhar pra meu Jesus, sem fim!”? O cristianismo do tipo desbravador, cruzadista, no estilo Indiana Jones? Aquele que o “vocacionado” enxerga Deus um “estraga prazer”? Creio que essa canção deve ser bem compreendida, pra que entendamos – finalmente – o que se tem nomeado de missão integral.

Antes mesmo de Ariovaldo Ramos, Francisco de Assis foi uma das pessoas que explicou o que é missão integral: “Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.” Percebemos, através dessa máxima franciscana, que pregar o evangelho não exige “palavras bonitas” – muito menos ensaiadas! (I Cor. 2.4) Pregar o evangelho não exige diploma de teologia. Pregar o evangelho não exige ser pastor de igreja. Pregar o evangelho não exige nível superior. Pregar o evangelho não exige ser “gente grande”! Pregar o evangelho exige viver o evangelho, na dependência de Deus – tal como uma criança depende de seu pai, diga-se de passagem. Não pretendo bancar o polêmico, procurando agulha no palheiro, através da análise do antigo corinho. De forma alguma! No entanto, se me permite, gostaria de sugerir uma importante reforma no último verso da musiquinha. Ainda que a métrica fique ruim, para o bem da missão (que também é infantil), sugiro: “E quando eu estiver desse tamanho assim,/eu quero continuar trabalhando pra meu Jesus, sem fim!”

Lembro de outro corinho infantil que – graças a Deus! – não precisa de reforma, pois sua letra expressa muito bem a integralidade da missão:

Posso ser um missionariozinho,
Se falar de Cristo ao companheirinho;
Posso trabalhar em minha terra

Manda-me, pois, Senhor!

Não preciso atravessar os mares
Para dar aos outros novas salutares;
Posso fornecer sustento aos outros

Que meu Senhor mandou.

Hei de orar e trabalhar fielmente;
Caso Deus me chame seguirei contente
Para os campos que vão branquejando

Dispõe de mim, Senhor.

Posso ser um missionariozinho (Harold Deal/Henry Dekoven Bartells)

3 comentários:

Angie Abdon disse...

Ah, como é bom lembrar ! A Tia Lenita ensinava bem assim a musiquinha mesmo ! Mt foffinho !!

Fala sério... q hoje em dia.. ensinam pra criancinhas o funk-q-evangeliza ! Mt feio...

não estamos ouvindo muito por aí usar as palvras como ultimo recurso..

Jesus nos ajude !!

'Uma verdade jorra da cruz... vi-da-te-nho-em-Jesus !!!'
rs

Bjksss :P

P.S.: Desnatado é sempre sem gosto... rs

Érico disse...

Fala ae Alexandre!

Mt bem escrito!! P/ falar do Evangelho precisamos vivê-lo...e nem sempre as palavras serão necessárias...

rsrs, ficou melhor a letra da música com a alteração q vc fez...Deus usa as crianças!!

Abçs,
Érico

Alexandre de Sá disse...

Angie, sinto saudades da tia Arlete!
;)

Érico! Pensei em postar essa sugestão de mudança à APEC(Aliança Pró-evangelização de Crianças).
=)

Deus usa as crianças! Elas não precisam virar "gente grande" pra falar de Jesus!

Obrigado pelos comentários, gente!

Forte abraço!